sábado, 15 de janeiro de 2011

Reuniões holográficas !

Cientistas da Universidade do Arizona conseguiram resultado impressionante numa projeção de imagens ao vivo usando holografia. A tecnologia produz efeito semelhante ao 3D, mas dispensa óculos

 Shutterstock; Ilustração_Tato Araujo
Numa das cenas antológicas de Guerra nas Estrelas, o simpático robô R2D2 projeta uma luz azul na sala onde Luke Skywalker, o herói do filme, reúne-se com seu grupo. Ali, surge uma imagem em miniatura da Princesa Leia, implorando ajuda. A aparição não dura 30 segundos, mas foi o suficiente para tornar-se um ícone do cinema. A cena entrou para o imaginário coletivo por mostrar algo que, até hoje, só a ficção científica poderia materializar: um holograma perfeito. Ou, traduzindo, uma imagem em movimento, projetada em três dimensões, que reproduz uma pessoa como se estivesse presente em determinado lugar. Mais de 30 anos depois de o filme ter sido lançado, a holografia está deixando de ser uma miragem tecnológica. Aliás, não se impressione se em breve seu chefe fizer uma aparição semelhante à da Princesa Leia numa reunião de trabalho.
Num recente avanço tecnológico, um grupo de cientistas liderado pelo americano Nasser Peyghambarian, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, desenvolveu um sistema que capta cenas em três dimensões e as reproduz em outro lugar – em qualquer parte do mundo. O modelo pode ser definido como a telepresença holográfica. Em um teste, um pesquisador estava na Califórnia e sua imagem tridimensional foi lançada, quase em tempo real, a milhares de quilômetros de distância, no Arizona. Essa não foi a primeira experiência com holografia. A invenção da técnica data do fim da Segunda Guerra Mundial, quando o engenheiro eletricista húngaro Dennis Gabor fez experimentos desse tipo. Mais tarde, em 1971, a pesquisa rendeu a Gabor o Prêmio Nobel de Física.
Diferentemente do 3D, os hologramas são projetados no ar.
Não necessitam de tela ou óculos
Mas as tentativas recentes de uso da holografia eram claramente limitadas. Em geral, empregavam um material pré-gravado e não conseguiam reproduzir o movimento. O segredo do resultado positivo da turma do Arizona está na velocidade de transmissão de dados: a imagem se renova a cada dois segundos. No início da década, esse tempo era 100 vezes maior (veja o quadro). A equipe da universidade agora trabalha para que as cenas sejam retransmitidas no mesmo padrão utilizado por uma câmera de vídeo. Ou seja, 24 quadros por segundo. “Precisamos avançar alguns pontos na nossa pesquisa para chegar a esse nível e tornar o experimento comercialmente viável. O que fazemos atualmente em dois segundos precisa ser feito em frações desse tempo”, diz Peyghambarian.
Ilustração_Paola Lopes
As projeções tridimensionais ganharam popularidade nas salas de cinema recentemente, graças a filmes como Avatar. Mas a tecnologia da telepresença holográfica difere em muitos aspectos do 3D convencional. Os hologramas podem ser projetados no ar, sem a necessidade de uma tela. Também dispensam os óculos especiais, sem os quais as imagens em 3D não passam de borrões fantasmagóricos. “Num filme em 3D, você só tem duas perspectivas. Com o nosso invento, são diversas. Uma pessoa, em uma posição diferente da sua, verá a imagem em outra perspectiva. O holograma parece realmente estar na sua frente”, diz Peyghambarian.
Grande parte da eficácia do projeto é resultado de uma parceria entre a universidade americana e a Nitto Denko, empresa japonesa especializada em eletrônicos. A companhia criou um polímero fotorrefrativo que registra uma imagem e a retransmite em dois segundos. O mecanismo todo funciona da seguinte maneira: a imagem original é obtida a partir de 16 câmeras localizadas, estrategicamente, em diferentes posições. Depois, a informação recolhida é codificada por um raio laser, que registra a imagem no tal polímero fotorrefrativo, onde fica armazenada. Cada impulso de raio laser registra um “hogel” no polímero – o hogel é a versão tridimensional do pixel, uma espécie de unidade básica do holograma que ajuda a formar a imagem. O holograma é transmitido, então, para uma tela semelhante que está em outro lugar. Ao receber as informações, ela consegue projetar a imagem como se estivesse à frente de quem a observa.
A descoberta dos cientistas do Arizona poderá ter diversas aplicações comerciais. A primeira delas, segundo o coordenador da pesquisa, será o cinema. Mas para além da indústria do entretenimento, seu uso também pode avançar sobre a medicina, as artes gráficas e, certamente, acentuará uma tendência do mundo corporativo: as reuniões remotas. Agrupar as pessoas num mesmo lugar por meio da tecnologia ganhou força há dois anos, quando, durante a crise, as empresas deceparam custos. Começaram pelas reuniões de negócios. Para desespero das companhias aéreas, estima-se que só nos Estados Unidos a quantidade de viagens corporativas tenha diminuído 30% em dois anos. Elas foram substituídas por reuniões por telefone e câmeras. Durante esse mesmo período, as empresas investiram US$ 25 bilhões, equipando salas de reuniões com sistemas telepresenciais – uma parafernália de câmeras, telas e luzes. Esse investimento foi recompensado com uma economia de US$ 100 bilhões em viagens.
A americana Cisco é atualmente uma das maiores provedoras de tecnologias de telepresença. Mas, no início de 2009, John Chambers, CEO da empresa, deu uma demonstração do que projeta para um futuro próximo. Numa apresentação em Bangalore, na Índia, Chambers chamou ao palco dois executivos da companhia. Eles apareceram, mas eram holografias. Na verdade, ambos estavam em San José, na Califórnia. Nesse caso, as imagens foram construídas por meio de um truque, criado por um misto de câmeras e cenários. “Daqui a cinco anos, a telepresença não terá como base aparelhos e câmeras, mas conferências holográficas, inclusive para uso doméstico”, disse Chambers. Os cientistas da Universidade do Arizona deram um grande passo nesse sentido. E, pelo visto, não será preciso um diretor como George Lucas para replicar – e de maneira bem real – o que a ficção fez com a Princesa Leia.

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