terça-feira, 15 de dezembro de 2009

É melhor ser esperto que ter sorte.


1 - Faz seis anos que trabalho na mesma empresa, mas não vejo muitas oportunidades para mim aqui. Na semana passada, um conhecido me ofereceu um emprego em sua empresa. A função proposta não é exatamente na minha área de atuação e não ficou muito claro o que ele espera de mim nesse novo cargo, mas mesmo assim a oferta me pareceu interessante. Devo aceitá-la? (Anônimo, Weyne, Pensilvânia)


Essa nova oportunidade lhe pareceu interessante ou apenas diferente? A pergunta se explica porque fez soar um alarme por aqui.
Não temos nada contra ofertas “interessantes”. Nada disso. O problema é que já vimos muita gente arrumar emprego novo só para se livrar do velho.



A estratégia pode dar certo. Todos nós já ouvimos histórias de gente cuja carreira é fruto de uma mudança espontânea. De modo geral, porém, em se tratando de bem administrar sua carreira, o que vale é a seguinte máxima: é melhor ser esperto que ter sorte.

Quando dizemos “esperto”, queremos dizer “informado” — o que não é exatamente o seu caso neste momento. Você está apenas curioso, provavelmente porque está um pouco chateado ou frustrado em seu emprego atual. Talvez você trabalhe para uma empresa familiar e tenha alcançado o posto mais próximo possível da ante-sala do alto escalão. Ou talvez sua empresa não esteja crescendo. Qualquer que seja a situação, ela agora é irrelevante. O que importa é que você parece disposto a dar um salto antes de analisar muito bem onde vai cair.

Não faça isso — não sem antes avaliar devidamente o passo que pretende dar.

Comece pela oportunidade. Para nós ela parece um pouco confusa, já que você não conhece muito bem a área em questão. O mais preocupante, porém, é que seu papel não parece muito definido. É como se seu conhecido estivesse lhe dizendo: “Veremos do que se trata depois que você estiver lá”. Diante disso, só temos uma coisa a lhe dizer: não caia nessa.

Não há praticamente nada mais frustrante em administração do que ter responsabilidade sem autoridade. Seu novo chefe — seja ele seu conhecido ou não — sem dúvida alguma vai exigir resultados de você o mais breve possível. Sem uma função claramente definida, você estará em apuros. Talvez você não consiga, por exemplo, fazer contratações ou gastar no que gostaria. Seus colegas de trabalho poderão até mesmo tratá-lo com indiferença. Quem é você afinal?
Nada ilustra melhor essa dinâmica do que a história contada por Cathie Black em seu fantástico livro de memórias Basic Black (Rumo ao Topo, na edição em português). Depois de um ano sendo cortejada pelo fundador do jornal USA Today, Al Neuharth, Cathie finalmente aceitou a presidência da empresa, em 1983. Em seu primeiro dia de trabalho, ela conta que se sentiu humilhada quando um executivo da área de marketing se aproximou e lhe disse: “Queria apenas que você soubesse desde já que não pretendo lhe dar satisfação alguma sobre o meu trabalho”. Segundo Cathie, um sentimento ruim tomou conta dela e só então ela se deu conta de que havia cometido um erro clássico: nunca especificou, por escrito, quem deveria se reportar a ela e quais seriam suas funções. Foram necessários alguns meses para que ela pusesse as coisas em ordem no USA Today. Como todos sabem, porém, a história de sua longa permanência no jornal teve um final muito feliz.
O mesmo tipo de problema enfrentado por Cathie pode acontecer com você em seu novo emprego se os detalhes importantes não forem discutidos antes de aceitar a proposta. Existe ainda um segundo aspecto que você não pode ignorar, e que diz respeito aos valores. Certifique-se de que essa nova oportunidade que estão lhe oferecendo não tenha parecido atraente pelo motivo errado — estamos falando de dinheiro e prestígio. Não há nada de errado em aceitar um emprego de alguém que lhe oferece um salário melhor ou que contribua ainda mais para fortalecer sua reputação. No entanto, muitas vezes empregos desse tipo cobram um preço muito alto do seu futuro imediato, para não falar do seu orgulho e da sua autenticidade.

Temos um amigo que aceitou uma proposta inesperada por causa do título que lhe seria conferido — vice-presidente —, além de um aumento de 25 000 dólares no salário. Infelizmente, ele veio a se tornar o bode expiatório de uma empresa em franca decadência. Outro amigo, jogador profissional de golfe, deixou o emprego que tinha em um clube simpático seduzido pelo glamour de um clube chique e famoso. No entanto, logo passou de sócio a funcionário, e era tratado pelos outros membros como pouco mais do que um agendador de horários. No clube pequeno, sua mulher tinha cargo de gerência e também jogava. No clube grande, cuidava da organização dos tacos e sacolas de golfe. Aquele jogador profissional havia pressentido que esse seria exatamente o seu fim. No entanto, deixou que os elogios e a admiração dos amigos falassem mais alto do que a voz da dúvida que tinha na cabeça.

É claro que a oferta que lhe fizeram pode se tornar a realização dos seus sonhos. Talvez ela expulse a monotonia e traga mágica para a sua vida. Contudo, não dê o passo decisivo sem antes analisar friamente a nova empresa no que ela tem de transparência e de objetividade. Olhe também para dentro de si mesmo e busque no fundo do seu coração algum sinal de que a mudança vale as conseqüências.


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