quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O brasileiro que ganhou R$ 1 milhão na bolsa de valores.

O investidor Fábio Calderaro é um dos quase 300 mil brasileiros que despertaram para o mundo das ações. O que você pode aprender com eles




O economista Fábio Calderaro, de 30 anos, levava uma vida difícil até poucos anos atrás. Seu pai é um pequeno comerciante, e sua mãe dona de casa em Taubaté, no interior de São Paulo. Calderaro conta que, aos 18 anos, prestou vestibular para a Faculdade de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) e passou. Como o curso era em período integral, ele diz que nem sequer chegou a fazer a matrícula, porque precisaria trabalhar para se sustentar. Acabou se alistando na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Estado do Rio de Janeiro. Depois de formado, seguiu carreira na caserna. Em 1999, baseado em Manaus, começou a investir em ações. O investimento, segundo ele, foi de R$ 3.300 e não trouxe resultados vultosos no primeiro momento. Mas, depois disso, sua vida nunca mais foi a mesma. Calderaro continuou a carreira militar, mas afirma que se tornou um investidor e um pesquisador obstinado do mercado acionário. Fez faculdade de Economia, cursou pós-graduação, mudou-se para o Rio e, no ano passado, graças a suas aplicações na bolsa, diz ter conseguido conquistar seu primeiro milhão de reais. De lá para cá, afirma que se dedica apenas a aplicar, pela internet, o dinheiro que ganhou nos pregões.“Atingi a meta de fazer R$ 1 milhão um ano antes do que havia planejado”, diz Calderaro. “Hoje, vivo do que gosto de fazer: comprar e vender ações.”

Assim como Calderaro, uma legião de brasileiros de todas as idades e de todas as faixas sociais está descobrindo o mercado de ações (leia as outras histórias). De acordo com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), 280 mil pessoas investem hoje em ações no Brasil. Há cinco anos, eram 85 mil. Embora os homens ainda formem a maioria dos investidores, um número crescente de mulheres também está arriscando seu dinheiro nos pregões. Em 2002, elas representavam 17,6% do total de aplicadores. Hoje, já representam 22%. Em números absolutos, isso significa que cerca de 60 mil mulheres já investem na bolsa. “Mais de 70% do patrimônio de minha família está aplicado em ações”, diz a engenheira eletricista Denise Damiani, de São Paulo. Ela montou um clube de investimento só de mulheres no ano passado, com o objetivo de aplicar na bolsa. Batizado como Saphira, o clube começou com 30 participantes e um patrimônio de R$ 5 mil. Hoje, tem 130 mulheres e R$ 1,5 milhão em investimentos. “É algo que está transformando a vida das mulheres”, diz Denise.

Não é por acaso que a bolsa está despertando a atenção de um grupo de pessoas que até pouco tempo atrás talvez nem soubesse exatamente como ela funciona. Como mostram os casos de Denise e de Calderaro, muita gente está ganhando dinheiro com ações. Nos últimos anos, o retorno das ações foi espetacular. Com a queda recente dos juros, o ganho das aplicações como a caderneta de poupança e os fundos de renda fixa diminuiu. A bolsa passou a ser a principal alternativa para quem quer fazer seu patrimônio crescer com mais rapidez.

Desde o fim de 2002, o índice da Bovespa (Ibovespa), que reflete a variação média das ações mais negociadas na bolsa paulista, subiu quase 700%. Quem investiu R$ 1.000 há cinco anos, teria R$ 7 mil no fim de outubro. Só em 2007, até o dia 31 de outubro, o Ibovespa subiu 47%, alcançando a marca recorde de 65.317 pontos. Em dólar, a bolsa brasileira subiu, em média, 75% no mesmo período. É o terceiro melhor desempenho entre as bolsas do mundo. A alta brasileira só foi menor que as do Peru e da China (leia no quadro). Em cinco anos, a bolsa do país é a segunda mais rentável do planeta, atrás apenas da do Egito. Outro indicador da pujança da bolsa paulista: nos últimos cinco anos, o valor de mercado das empresas com ações negociadas nos pregões, calculado com base nas cotações dos papéis, passou de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,5 bilhões. “O mercado de ações brasileiro deixou de ser um jogo especulativo para tornar-se uma opção de investimento de longo prazo”, diz Walter Mendes, o responsável pela área de renda variável do Banco Itaú.

Com a valorização dos papéis e a entrada de um número crescente de novos investidores na bolsa, o lançamento de ações passou a ser uma alternativa interessante para as empresas que buscam capital para crescer e não querem se endividar com bancos. Em 2007, o lançamento de novas ações bateu um recorde histórico. Em outubro, a própria Bovespa lançou suas ações no mercado, e a cotação subiu 52% no primeiro dia de negociação. Até o fim do mês, 59 empresas tinham feito a abertura de capital, o que lhes permitiu captar cerca de R$ 40 bilhões. É o equivalente a 60% do orçamento deste ano do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pelo fomento da atividade econômica no país. E mais 22 empresas estão na fila.

Isso tem um significado profundo: o governo e os bancos estão deixando de ser o principal financiador das empresas brasileiras. Cada vez mais, quem está assumindo esse papel são investidores como Fábio Calderaro e Denise Damiani. Aos poucos, mais e mais brasileiros estão se acostumando à idéia de ser sócios do sucesso das empresas.“Com a estabilidade e queda dos juros, o foco está saindo do curto prazo”, afirma Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e hoje dono da Gávea Investimentos. “Atualmente, a bolsa não é mais vista como um cassino, em que os mais espertos se aproveitam dos outros. Agora, ela passou a ser um centro gerador e alocador de poupança, como sempre deveria ter sido.”

Até os investidores estrangeiros, sempre cautelosos quando se trata de Brasil, estão desembarcando na bolsa com um apetite voraz, impensável até pouco tempo atrás. De acordo com a Bovespa, os estrangeiros investiram R$ 33 bilhões e compraram 75% das ações lançadas no mercado neste ano. No total, o saldo dos investimentos estrangeiros na bolsa brasileira chegou a US$ 142 bilhões no fim de setembro, 18 vezes o valor de 2002.

Para ganhar credibilidade e chegar aonde chegou, a Bovespa passou por uma profunda transformação, que culminou o sucesso da abertura de seu capital em outubro. A operação lhe permitiu captar R$ 6 bilhões dos investidores do país e do exterior. O processo de mudança é personificado pelo atual presidente da Bovespa, Raimundo Magliano Filho. Dono de uma pequena mas tradicional corretora de São Paulo, Magliano (lê-se Malhano) fez do desenvolvimento do mercado de capitais do país uma missão. Sob seu comando, a bolsa brasileira fez um esforço gigantesco para melhorar sua imagem. O objetivo de Magliano era levá-la a ter a mesma relevância que tem nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Para popularizar o investimento em ações, a bolsa lançou em 2002 o programa “A Bovespa vai até você”. Passou a enviar seus promotores a fábricas, escolas e até ao litoral, em caminhonetes decoradas com imagens dos pregões. Criou também o cargo de ombudsman, para zelar pelos interesses dos investidores. Outro passo essencial foi estimular a criação de mecanismos de proteção aos acionistas minoritários. Em 2001, com o apoio da Bovespa, a nova Lei das Sociedades Anônimas equilibrou o relacionamento com os acionistas controladores.

No entanto, o grande salto foi a criação de Novo Mercado, em 2000. Trata-se de uma nova categoria de classificação das empresas com ações negociadas na bolsa. Ela foi criada para diferenciar as companhias que adotam práticas de gestão transparentes e facilitam o acompanhamento e a fiscalização dos atos da administração. Os papéis de empresas que pertencem ao Novo Mercado passaram a ser mais procurados e subiram mais que os demais. Isso criou um estímulo para que outras empresas entrassem no sistema. “Em vez de defender a mudança da legislação para forçar as empresas abertas a aderir ao Novo Mercado, são as empresas que aderem de forma voluntária ao compromisso de ser transparentes com os investidores”, diz Magliano, da Bovespa.

O cenário econômico favorável, aqui e no exterior, também afeta positivamente o desempenho da Bovespa. Apesar da crise recente no mercado americano de hipotecas, ainda há dinheiro sobrando no mercado global. A credibilidade alcançada até agora pelo Brasil, com a manutenção de uma política econômica consistente, tem sido decisiva. Em breve, o Brasil deverá receber o tão esperado “grau de investimento” das agências de classificação de risco internacionais. Isso representará um aval indispensável para os grandes fundos de pensão americanos investirem aqui.

O único senão a esse ciclo virtuoso ainda são os índices de crescimento econômico do país. Segundo Paulo Leme, economista-chefe do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento americanos, o Brasil poderia estar crescendo, no mínimo, 6% ao ano se tivesse feito as reformas tributária e da Previdência e reduzido os gastos públicos. Leme diz que os investidores externos já começam a se preocupar com o aumento excessivo dos gastos do governo. Segundo ele, o que está acontecendo hoje é quase nada perto do que poderia acontecer se as reformas tivessem sido implementadas. Ele usa uma imagem gastronômica para explicar melhor seu raciocínio. “Uma empadinha com uma cervejinha bem gelada cai bem”, afirma Leme. “Mas uma torta de frango, além de mais substanciosa, pode servir muito mais gente.” Apetite – é o que não falta aos investidores.



Fonte: Revista Época

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1 Comentários:

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